terça-feira, 15 de junho de 2010

Um poema de Augusto dos Anjos para finalizar esta fria madrugada



O MEU NIRVANA

"No alheamento da obscura forma humana,
De que, pensando, me desencarcero,
Foi que eu, num grito de emoção, sincero
Encontrei, afinal, o meu Nirvana!
Nessa manumissão schopenhauereana,
Onde a Vida do humano aspecto fero
Se desarraiga, eu, feito força, impero
Na imanência da Idéia Soberana!

Destruída a sensação que oriunda fora
Do tato -- ínfima antena aferidora
Destas tegumentárias mãos plebéias --
Gozo o prazer, que os anos não carcomem,
De haver trocado a minha forma de homem
Pela imortalidade das Idéias!"

(Augusto dos Anjos)

*Ele me fascina de uma forma inexplicável.

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